Diretrizes - Parte I

Texto aprovado no dia 25/12/2018, na Congregação da Educação Católica. 

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- EDUCAÇÃO CATÓLICA. 1ª Edição - 2018
COORDENAÇÃO EDITORIAL: DOM MIGUEL DOLEZZIO,


APRESENTAÇÃO,

A Congregação da Educação Católica, com a colaboração dos prefeitos anteriores desta congregação, com a Organização dos Seminários e Institutos do Brasil, publica as Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Santa Igreja, fruto da reflexão, da experiência e trabalho de todos os envolvidos no ministério e na vida dos Presbíteros. Estas Diretrizes foram aprovadas pelo Prefeito desta Congregação, Dom Miguel Dolezzio após algumas reuniões com sua Eminência dom Isaac Xavie (in memórie), em Roma, entre os dias 25 de novembro a 10 de dezembro de 2018, e obtiveram a aprovação da Congregação para a Educação Católica em 25 de dezembro de 2018. A Igreja, tendo celebrado encerrado com Jubilo do leigo, acolhe com grande expectativa estas Diretrizes, reconhecendo nelas um precioso instrumento e um guia seguro para percorrer as diferentes etapas que envolvem a formação inicial e permanente dos Presbíteros da Santa Igreja, levando em consideração as contribuições legadas pelos prefeitos que trabalharam nesta congregação. Rogando ao Senhor da Messe que envie operários para a Messe, confiamos o trabalho de todos os que colaboram direta ou indiretamente no processo de formação dos futuros Presbíteros à proteção de Nossa Senhora, sob o título de Rainha dos Apóstolos. 

Roma, 25 de dezembro de 2018.  Nascimento do menino Iesus.

+ Miguel Cardeal Dolezzio,
Arcebispo Titular de Urbisaglia e Prefeito da Educação Católica.


I PARTE,

O vocacionado,
 1. O conhecimento insuficiente sobre a “mudança de época” dificulta o processo formativo. É no campo da juventude que essas mudanças se fazem sentir com maior impacto. Novas tendências impregnam o cotidiano da juventude, compreendida na cronologia dos 15 aos 25 anos. Todos são, de alguma forma, filhos ou herdeiros das mudanças em curso; elas afetam a todos, ainda que seja mais fácil perceber a desconstrução que geram em relação a um passado recente do que o potencial que encerram de um amanhã inédito. A vocação como fenômeno humano se inscreve na profundidade da pessoa em sua busca por ser mais e melhor. Na dinâmica evangélica, a vocação humana se caracteriza pelo desejo de realizar a vontade de Deus e deixar-se transformar por ela (Rm 12,2). Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja. 

2. A desigualdade de oportunidades para a inserção nas transformações culturais em curso no universo da juventude traz também diferenças entre os jovens vocacionados. O documento Evangelização da Juventude constata: “A pós modernidade não substitui a modernidade. As culturas vivem juntas. Os valores da modernidade continuam sendo importantes para os jovens: a democracia, o diálogo, a busca da felicidade humana, a transparência, os direitos individuais, a liberdade, a justiça, a sexualidade, a igualdade e o respeito à diversidade”. Merecem ser lembrados, ainda: “a subjetividade, as novas expressões de vivência do sagrado e a centralidade das emoções”.

3. Os vocacionados participam das características da juventude atual tais como “o medo de sobrar por causa do desemprego, o medo de morrer precocemente por causa da violência e a vida em um mundo conectado, por causa da internet”. Essas marcas podem conduzir a uma busca de segurança e sentido da vida. O olhar da fé oferecido pelo Evangelho ajuda os vocacionados a darem a verdadeira razão do viver em Cristo e anunciarem o Reino da verdade, da justiça e da paz, como futuros pastores. 

4. Muitos vocacionados e seminaristas buscam, de início, um mundo de certezas a partir da idealização do “ser padre”, como expressão do eu idealizado. No seu íntimo encontram-se interrogações sobre a identidade presbiteral, ainda que não estejam bem formuladas. As mesmas referem se ao modo da Igreja ser, aos problemas envolvendo o exercício do ministério presbiteral, tais como: incoerência, autoritarismo e um celibato mal vivido. Percebidas podem estar silenciadas, e interferir ao longo do processo formativo. 37. Vindos de realidades diversas trazem consigo também elementos culturais diferentes, entre eles, indígenas e afrodescendentes. A vida na casa de formação, o processo formativo, devem possibilitar uma integração cultural, “sem que isso faça perder suas raízes”.

5. Os vocacionados, de modo geral, encontram-se na fase da construção de sua personalidade, o que abarca a sexualidade. Entre os jovens de hoje, encontram-se alguns que podem apresentar uma identidade sexual desintegrada, o que fragmenta a própria personalidade e a vida psíquica como sujeito humano. Tenha-se presente que no campo da sexualidade podem verificar-se “distúrbios sexuais incompatíveis com o sacerdócio”.

6. Parte dos vocacionados e seminaristas padecem as consequências de uma aprendizagem deficiente, advindas do sistema educacional do país, da falta de oportunidade em seu ambiente de origem e dos limites do seu desenvolvimento psico-físico. Sem hábitos de estudo, leitura e reflexão, com dificuldades para raciocinar, ler e redigir textos, necessitam de ajuda sistemática para cultivar a leitura e redação, para fazer sínteses e pensar em meio a complexidade do mundo de hoje.

7. Essa juventude, nela incluída os vocacionados, com suas marcas características, não é mera etapa de passagem para a fase adulta. Os vocacionados necessitam da presença de bons formadores e de um projeto formativo pedagógico e Congregação para a Educação Católica, Sobre os critérios de discernimento vocacional acerca das pessoas com tendências homossexuais e da sua admissão ao seminário e às ordens sacras, Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja mistagógico que lhes permita construir sua solidez como pessoa humana e cristã. Permanece, porém, o desafio da falta de formadores e de formação de formadores. Além das dificuldades econômicas, dedicar-se à formação é sentido por muitos como quebra de um processo de orientação de vida, uma vez que a maioria dos presbíteros é educada para a pastoral paroquial. 

8. Outro contexto a ser levado em consideração é a diferença entre ser seminarista num grande seminário diocesano, inter-diocesano ou regional e estar numa casa de formação onde a vida se desenvolve em grupo de tamanho médio ou pequeno.

9. A vocação e o ministério sacerdotal são dons de Deus à sua Igreja para continuar a missão de Jesus Cristo, Bom Pastor. A Igreja acolhe os vocacionados ao sacerdócio, louvando o Senhor pelo precioso dom da vocação, que continua chamando operários para a messe. Fiel à sua própria missão, a Igreja compromete-se a proporcionar-lhes acolhida, acompanhamento e formação sólida, para o discernimento, a confirmação e amadurecimento do seguimento de Jesus Cristo, necessários para se tornarem pastores do Povo de Deus, pelo sacramento da Ordem.

10. A vida e a missão do presbítero são marcadas por uma intencionalidade pastoral missionária, que deve configurar todo o processo formativo, pois “toda a formação dos candidatos ao sacerdócio é destinada a dispô-los de modo particular para comungar da caridade de Cristo, Bom Pastor (...); o objetivo pastoral assegura à formação humana, espiritual e intelectual, determinados conteúdos e características específicas, da mesma forma que unifica e caracteriza a inteira formação dos futuros sacerdotes”. O discipulado e a missão devem dar sentido ao processo formativo, determinando seu conteúdo, seus procedimentos, sua pedagogia, a seleção de candidatos e seus formadores.

11. Os fundamentos da formação presbiteral são os mesmos da teologia do presbiterado: os sacramentos do Batismo e da Confirmação como fonte do seguimento de Cristo, da missão e do testemunho cristão; o sacramento da Ordem como fonte da configuração sacramental a Cristo Cabeça da Igreja, e a identidade do presbítero.