Texto aprovado no dia 10/01/2019, na Congregação da Educação Católica.
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- EDUCAÇÃO CATÓLICA. 2ª Edição - 2019
COORDENAÇÃO EDITORIAL: DOM MIGUEL CARDEAL DOLEZZIO,
A Congregação da Educação Católica, com a colaboração dos prefeitos anteriores desta congregação, com a Organização dos Seminários e Institutos do Brasil, publica as Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Santa Igreja, fruto da reflexão, da experiência e trabalho de todos os envolvidos no ministério e na vida dos Presbíteros. Estas Diretrizes foram aprovadas pelo Prefeito desta Congregação, Dom Miguel Dolezzio após algumas reuniões com sua Eminência dom Isaac Xavie (in memórie), em Roma, entre os dias 25 de novembro a 10 de dezembro de 2018, e obtiveram a aprovação da Congregação para a Educação Católica em 25 de dezembro de 2018. A Igreja, tendo celebrado encerrado com Jubilo do leigo, acolhe com grande expectativa estas Diretrizes, reconhecendo nelas um precioso instrumento e um guia seguro para percorrer as diferentes etapas que envolvem a formação inicial e permanente dos Presbíteros da Santa Igreja, levando em consideração as contribuições legadas pelos prefeitos que trabalharam nesta congregação. Rogando ao Senhor da Messe que envie operários para a Messe, confiamos o trabalho de todos os que colaboram direta ou indiretamente no processo de formação dos futuros Presbíteros à proteção de Nossa Senhora, sob o título de Rainha dos Apóstolos.
Roma, 10 de Janeiro de 2019, São Vital.
+ Miguel Cardeal Dolezzio,
Cardeal Diácono da Santa Igreja e Prefeito da Educação Católica.
III PARTE,
FORMAÇÃO PERMANENTE DOS PRESBÍTEROS.
Perspectivas para a formação permanente
1.
A formação inicial e permanente devem estar integradas de tal modo que não haja
ruptura entre a formação no seminário e aquela que se faz necessária durante o
exercício do ministério. “Considera-se de forma distinta a formação ‘inicial’ e
a formação ‘permanente’, sem nunca esquecer, no entanto, o laço profundo que as
une e que deve fazer
2.
A importância da formação permanente deve ser despertada no seminário como um
caminho disciplinar, através da leitura e meditação da Palavra de Deus, da
celebração da Eucaristia, da contínua atualização dos estudos, da educação à
leitura, à informação sistemática, à atuação e reflexão pastoral, ao uso dos
meios de comunicação adequados, da educação para as artes, música sacra e bens
culturais e à sadia distribuição do próprio tempo de trabalho e lazer.
3.
O imperativo da formação permanente, cuja motivação original é o crescimento da
pessoa e o dinamismo evangelizador, se acentua pela complexidade e diversificação
social, cultural e técnico-científica. As novas linguagens da cultura midiática
pedem formação especializada e aperfeiçoamento em ciências humanas e artes além
de estudos avançados de filosofia e teologia
4.
A formação permanente deve capacitar para responder aos novos desafios
pastorais, preocupando-se com a formação dos presbíteros para os grandes
centros urbanos, favelas,
grupos
de espiritualidades diferentes, meios de comunicação social, “novos areópagos e
centros de decisões”.
5.
O presbítero seja ajudado a promover a vida eclesial nas comunidades por meio
dos múltiplos serviços e ministérios, valorizando os diáconos permanentes, a
cooperação dos religiosos e religiosas, e a atuação dos leigos, com especial empenho
na promoção das vocações sacerdotais e
no
apoio aos seminários.
6.
Os programas de formação devem dedicar especial atenção ao ecumenismo e ao
diálogo inter-religioso, ajudando os presbíteros a melhor conhecerem e
situarem-se na realidade religiosa plural do nosso tempo, desenvolvendo a
capacidade do diálogo e da cooperação, como orienta o
magistério
da Igreja.
7.
O primeiro e melhor lugar da formação permanente é o exercício do ministério
atento às exigências radicais do Evangelho diante da realidade de miséria e
sofrimento do povo.
O
presbítero, como discípulo missionário, aprende e faz de cada situação uma possibilidade
de conversão, maturação e realização. No exercício da “misericórdia e da
compaixão, próximo a seu povo e servidor de todos, particularmente dos que
sofrem grandes necessidades”, o presbítero encontra uma “fonte da
espiritualidade sacerdotal que anima e unifica a sua vida e ministério”.
8.
A importância da atualização é tal que, se preciso for, por ela se deverá
sacrificar, temporariamente, o serviço a uma comunidade. A atualização é para o
presbítero
a
possibilidade de, nas múltiplas tarefas e serviços, manter a saúde física e
psíquica, crescer na fidelidade ao seu ministério, no seu amor ao Povo de Deus,
destinatário da Palavra e da caridade pastoral.
9.
As novas exigências no campo da administração devem ser contempladas na
formação permanente dos presbíteros, de modo a promover a sua capacitação para
a gestão eclesial,
confeccionando
diretrizes ou manual de normas, procedimentos e alçadas, proporcionando o
cultivo da honestidade e transparência no uso e administração dos bens.
10.
Cada Diocese ou Regional deve programar e organizar cursos e outras modalidades
de formação permanente dos quais os presbíteros conscientes de sua tarefa devem
participar. A CNBB, através de seus organismos, deve auxiliar as Dioceses na
realização deste objetivo.
11.
O conselho presbiteral, com a aprovação do bispo diocesano, indique um
presbítero ou uma equipe responsável para viabilizar o programa de formação dos
presbíteros.
12.
Dada à variedade das situações diocesanas e regionais no Brasil, não é possível
traçar normas práticas comuns. Impõem-se, contudo, algumas orientações básicas
e gerais:
1. o sujeito da formação permanente é o próprio
presbítero; nada poderá substituir seu empenho;
2. o método fundamental é a reflexão sobre a prática, a
partir das experiências diárias da vida, vistas à luz da Palavra de Deus, em
busca do seguimento de Jesus Cristo, através da constante conversão, no
aprofundamento do discipulado e no revigoramento da missão,
na prática da comunhão;
3. o presbitério da diocese é o primeiro ambiente de formação
com todas as suas reuniões, encontros fraternos ou festivos, celebrações,
exercícios espirituais, encontros de estudo e reflexão. Instrumentos eficazes de
formação e exercício comunitário do ministério são
também as associações e fraternidades presbiterais.
4. o ambiente pastoral no qual o presbítero é chamado a
ser discípulo-missionário-servidor, especialmente a vida das comunidades
eclesiais, é lugar privilegiado da formação permanente;
5. a Diocese, com a cooperação dos organismos da CNBB,
deve oferecer a todos os presbíteros estímulos e oportunidades de atualização
ou reciclagem, sob diversas formas, tendo em conta necessidades e possibilidades;
6. sejam apoiadas as instituições para a recuperação de
presbíteros que apresentam “comportamentos que requeiram acompanhamento
especial”.
13. Os institutos de filosofia e teologia,
juntamente com a OSIB, aproveitando a estrutura físico-humana, favoreçam a
formação permanente com cursos de atualização para os presbíteros.
Pastoral presbiteral
14.
Tendo em vista a continuidade da formação sacerdotal após o período do
seminário, o Documento de Aparecida recomenda que “as Dioceses e Conferências
Episcopais desenvolvam uma pastoral presbiteral que privilegie a
espiritualidade específica e a formação permanente e integral dos sacerdotes”.
15.
A pastoral presbiteral, entendida como ação planejada da Igreja, incentivada
pela CNBB e motivada pelos Encontros Nacionais de Presbíteros (ENPs), é o
cuidadoso acompanhamento
pessoal
e comunitário, integral e orgânico da Igreja particular aos seus presbíteros,
devendo neles estimular a alegria de serem discípulos missionários de Jesus
Cristo, servidores do povo, segundo o exemplo do Bom Pastor.
16.
O primeiro cuidado da pastoral presbiteral é motivar os presbíteros a serem
como Jesus Cristo, Bom Pastor, vivendo e agindo como Ele, possibilitando uma
maturação pessoal de modo que possam dedicar-se plenamente ao ministério de
pastores que Deus e a Igreja lhes confiam
em
prol das comunidades.
17.
A pastoral presbiteral fomente no presbítero a unidade com a sua diocese, o
autoconhecimento, a maturidade humano-afetiva, a capacidade de relacionar-se, a
integração
positiva
e ablativa de sua sexualidade como celibatário, o exercício do poder e da
autoridade como serviço, o uso do dinheiro e dos bens como meios de partilha e
comunhão. Forme e eduque constantemente o senso crítico, a abertura para o
diálogo e o respeito, a capacidade de trabalho em equipe e a superação do
egocentrismo. Tudo isto o capacitará para tomar decisões responsáveis e eficazes
e a cultivar amizades saudáveis e duradouras. Como pessoa integrada e realizada
contagiará outros anunciando e testemunhando a Boa Nova de Jesus.
18.
“O ministério ordenado tem uma radical ‘forma
comunitária’ e pode apenas ser assumido como
‘obra coletiva’. A experiência concreta da fraternidade presbiteral acontece na
hospitalidade, na comunhão de bens, na solicitude com os presbíteros idosos,
doentes, com
colegas
em situação de crise, solitários, sobrecarregados, na correção fraterna, na
ajuda mútua e no lazer realizado em conjunto. Incentivem-se experiências de
vida fraterna entre os presbíteros e, especialmente, se formem comunidades presbiterais,
nas dioceses, para maior enriquecimento da vida dos presbíteros. A verdadeira
fraternidade presbiteral passa por uma concreta ação solidária: bispos e
presbíteros, superando a busca de bens unicamente pessoais,
unam-se
no empenho por projetos que promovam a partilha de bens e recursos como
expressão da fraterna comunhão sacerdotal.
19.
A pastoral presbiteral deve cultivar uma verdadeira espiritualidade sacerdotal,
que dê sentido e vigor ao agir pastoral dos presbíteros, bebendo nas fontes da
Palavra e dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia cotidiana e da Confissão
periódica, na oração pessoal e comunitária, na Liturgia das Horas, na devoção a
Maria, na leitura espiritual, na direção espiritual, na vida em comunidade e no
serviço aos pobres e sofredores. Possibilite momentos de especial comunhão com
Deus, nos retiros, dias de oração e encontros de espiritualidade. A pastoral
presbiteral deve ainda promover a espiritualidade da caridade pastoral, da
fraternidade e da solidariedade no discernimento das exigências do Reino de
Deus. A espiritualidade madura
garante
a autenticidade e fecundidade do ministério presbiteral na gratuidade.
20.
Atenta ao processo de constante conversão e à busca por recriar a missão, a
pastoral presbiteral estimule o presbítero a investir em sua formação
intelectual, especialmente
no
aprofundamento teológico-pastoral e bíblico. Busque criticamente conhecer as
grandes questões da humanidade para o crescimento pessoal e a transformação da realidade.
21.
A dimensão pastoral-missionária constitui o eixo integrador da vida do
presbítero, levando-o à consciência de ser presbítero numa Igreja em estado
permanente de missão. A pastoral presbiteral ajude o presbítero, enquanto
servidor do Povo de Deus, a fortalecer-se em sua vida espiritual, crescendo no
amor pelos pobres. Como pastor, o presbítero é enviado a evangelizar a
sociedade e o faz sentindo-se responsável pela vida em plenitude de seu povo. O
Documento
de Aparecida faz
inúmeras referências à missionariedade, desafiando a Igreja a tornar-se
permanentemente missionária. Para isso, há necessidade de presbíteros profetas,
sensíveis
aos
problemas do povo, comprometidos com a justiça, que fazem da opção pelos
pobres, elemento integrante da evangelização. Esta postura está em sintonia com
o modo de viver
das
primeiras comunidades, com a recomendação de São Paulo a não se esquecer dos
pobres
22.
A pastoral presbiteral deve promover a solidariedade e a fraternidade entre os
presbíteros, através de encontros, da partilha de vida, para que possam
expressar seus anseios, angústias e esperanças, buscando a solução para os seus
problemas e dificuldades. Acompanhará, na corresponsabilidade presbiteral, os
padres jovens no exercício de seu ministério, bem como, dará assistência aos
padres idosos e enfermos. Todos os presbíteros são convidados a participarem com
entusiasmo da pastoral presbiteral.
23.
No âmbito da pastoral presbiteral, contando com peritos e especialistas no
acompanhamento das diversas dimensões da formação, o bispo defina um processo
sistemático
de
acompanhamento dos presbíteros, especialmente nos primeiros cinco anos do
ministério.
24.
A pastoral presbiteral seja implementada nas dioceses, através de um trabalho
sistemático e organizado, com a formação de equipes e a elaboração de um plano.
O bispo, com o seu presbitério, cuide para que a vida e o ministério dos
presbíteros sejam animados pela fraternidade presbiteral e pela caridade
pastoral.
