Texto aprovado no dia 06/01/2019, na Congregação da Educação Católica.
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- EDUCAÇÃO CATÓLICA. 1ª Edição - 2019
COORDENAÇÃO EDITORIAL: DOM MIGUEL CARDEAL DOLEZZIO,
A Congregação da Educação Católica, com a colaboração dos prefeitos anteriores desta congregação, com a Organização dos Seminários e Institutos do Brasil, publica as Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Santa Igreja, fruto da reflexão, da experiência e trabalho de todos os envolvidos no ministério e na vida dos Presbíteros. Estas Diretrizes foram aprovadas pelo Prefeito desta Congregação, Dom Miguel Dolezzio após algumas reuniões com sua Eminência dom Isaac Xavie (in memórie), em Roma, entre os dias 25 de novembro a 10 de dezembro de 2018, e obtiveram a aprovação da Congregação para a Educação Católica em 25 de dezembro de 2018. A Igreja, tendo celebrado encerrado com Jubilo do leigo, acolhe com grande expectativa estas Diretrizes, reconhecendo nelas um precioso instrumento e um guia seguro para percorrer as diferentes etapas que envolvem a formação inicial e permanente dos Presbíteros da Santa Igreja, levando em consideração as contribuições legadas pelos prefeitos que trabalharam nesta congregação. Rogando ao Senhor da Messe que envie operários para a Messe, confiamos o trabalho de todos os que colaboram direta ou indiretamente no processo de formação dos futuros Presbíteros à proteção de Nossa Senhora, sob o título de Rainha dos Apóstolos.
Roma, 6 de Janeiro de 2019, Solenidade da Epifania do Senhor.
+ Miguel Cardeal Dolezzio,
Cardeal Diácono da Santa Igreja e Prefeito da Educação Católica.
Os responsáveis da pastoral vocacional
1.
“A pastoral vocacional, que é responsabilidade de todo o Povo de Deus, começa
na família e continua na comunidade cristã, deve dirigir-se às crianças e
especialmente aos jovens para ajudá-los a descobrir o sentido da vida e o
projeto que Deus tem para cada um, acompanhando-os em seu processo de
discernimento. Plenamente integrada no âmbito da pastoral ordinária, a pastoral
vocacional é fruto de uma sólida pastoral de conjunto, nas famílias, na paróquia,
nas escolas católicas e nas demais instituições eclesiais”.
2.
Para animar, promover e coordenar a ação vocacional em todas as dimensões
pastorais da vida cristã e para oferecer orientação e acompanhamento ao
discernimento dos vocacionados,
crie-se
ou mantenha-se a pastoral vocacional, em todos os níveis da ação
evangelizadora. A pastoral vocacional seja organizada em nível nacional, sob a
coordenação da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a
Vida Consagrada da CNBB. Seja igualmente organizada em cada Regional da CNBB,
segundo o modo que melhor
convier
à sua finalidade, observadas as diferenças regionais.
3.
Haja em cada diocese uma equipe que coordene o serviço diocesano de animação
vocacional sob a orientação do bispo. Esta comissão programe e realize, com
certa periodicidade, encontros vocacionais diocesanos, com jovens que já possuem
uma pré-opção vocacional, dando especial atenção aos vocacionados para a vida
presbiteral.
4.
Em cada paróquia e, se possível, em cada comunidade, haja uma equipe
responsável pelo serviço de animação vocacional, sempre animada pelo pároco.
Cabe à equipe promover a oração pelas vocações, coordenar e organizar a ação
vocacional em todo o itinerário vocacional (despertar, discernir, cultivar e
acompanhar as vocações) e, desse modo, atuar junto aos possíveis vocacionados,
com particular atenção aos vocacionados ao ministério presbiteral.
Sugere-se
à equipe que promova, de modo regular, permanente e pedagógico, encontros
vocacionais com crianças, adolescentes e jovens. Cabe a esta equipe favorecer
uma
orientação
vocacional personalizada, mediante um serviço
de
escuta e diálogo capaz de ajudar os vocacionados a descobrirem suas verdadeiras
motivações e deixarem-se conhecer a partir do chamamento de Cristo.
5.
Todos os fiéis são responsáveis pela pastoral vocacional:
§1. O bispo diocesano: como primeiro responsável, a ele cabe zelar
para que a pastoral vocacional tenha a importância necessária no âmbito da
diocese.
§1. Os presbíteros: o testemunho dos presbíteros, tem sido ao longo dos
tempos, é uma das fontes mais fecundas das novas vocações para a Igreja. Pela
fidelidade radical no seguimento de Jesus, eles apontam o caminho presbiteral
como uma opção realizadora, através da cruz e da alegria pascal, a todos os
jovens. “A própria vida dos padres, a sua dedicação incondicional
ao
rebanho de Deus, o seu testemunho de amoroso serviço ao Senhor e à sua Igreja
(...), a sua concórdia fraterna e o seu zelo pela evangelização do mundo são o
primeiro e mais persuasivo fator de fecundidade vocacional”
§2. A família: uma responsabilidade particular é confiada à família
cristã que, em virtude do sacramento do Matrimônio, participa na missão
educativa da Igreja. Os vínculos do sacerdócio diocesano no presbitério têm seu
fundamento nos laços familiares. Na família, a Igreja reconhece o início da
vocação. Ela é a primeira comunidade eclesial da formação do vocacionado. No
cultivo da vida cristã, a família abre espaços para que os filhos confrontem
seus
ideais com o chamado de Jesus. É necessário que a pastoral familiar e os
movimentos eclesiais ligados à família atuem em unidade com a pastoral
vocacional.
§3. As pastorais
da juventude e os movimentos juvenis:
ligados às comunidades cristãs, sem abandonar o horizonte amplo das vocações
para os vários ministérios da Igreja, precisam se colocar diante da proposta do
seguimento radical de Jesus no ministério presbiteral ou na
vida
consagrada. Tem-se mostrado oportuna e eficaz a articulação da pastoral
vocacional com a pastoral da juventude, a catequese, os grupos de preparação
para a crisma e os grupos de coroinhas.
§4. As pequenas
comunidades e as CEBs:
vêm se firmando como um ambiente propício para a gestação de uma Igreja toda
ministerial. Enquanto lugares de discernimento vocacional, podem contribuir
muito no despertar, discernir, e acompanhar vocações sacerdotais, religiosas e
de novas formas de vida consagradas, expressando a corresponsabilidade eclesial
no serviço
de
animação vocacional.
§5. Os grupos,
movimentos, as novas comunidades e associações de fiéis leigos: suscitados pelo Espírito Santo em ordem a uma
presença cristã missionária no mundo, eles vêm se revelando como um campo
fértil para a manifestação das vocações.
§6. As escolas
e os educadores católicos: devem ajudar
os jovens não só a descobrir e desenvolver aptidões e interesses pessoais, mas
a se abrir aos apelos de Deus e às necessidades do mundo e da Igreja, com uma
proposta cultural que irradie luz sobre a dimensão vocacional. As escolas
católicas devem ter um serviço de orientação vocacional, visando a iluminar as
opções dos jovens. Sobre a importância dos grupos de acólitos e coroinhas para a animação
vocacional, ver a Carta de João Paulo II aos sacerdotes, na quinta-feira santa
de 2004.
§7. Os seminaristas: uma vez que atenderam ao chamado de Jesus e se
encontram no processo de formação presbiteral, são promotores naturais de novas
vocações, através de seu testemunho sincero e alegre.
Etapas e situações
6.
No itinerário do serviço à vocação presbiteral – despertar, discernir,
desenvolver e acompanhar a vocação – a pastoral vocacional deverá ter metas
claras para cada uma das
etapas
e situações com que se defronta. Da criança se pode esperar uma intuição e um
desejo de um projeto de vida dedicada ao serviço dos irmãos e de Deus. Do
adolescente se pode pedir que dê os primeiros passos para a elaboração do
projeto ou opção de vida. Acontece, muitas vezes,
que
esta opção é adiada para o tempo da juventude ou mesmo para o início da fase
adulta. Não são raros os casos em que o chamado ao ministério presbiteral é
percebido mais tarde. A pastoral vocacional deverá motivar e encaminhar os
jovens vocacionados para o catecumenato pós batismal, seguindo o Rito de
Iniciação Cristã de Adultos, a fim de lhes propiciar condições para uma opção
de vida a serviço do Reino através do ministério presbiteral. Na pastoral
vocacional, é necessário que haja agentes pedagogicamente qualificados para
acompanharem os candidatos nas etapas e situações da vida em que se encontram quando
manifestam a vocação presbiteral.
7.
Considerando que grande parte dos vocacionados ao presbiterado provém da idade
da adolescência e da juventude, pode-se já ter em conta as qualidades e
virtudes que devem despontar nessa fase de discernimento e opção vocacional: “o
sentido positivo e estável da própria identidade viril e a capacidade de
relacionar-se de modo maduro com outras pessoas ou grupos de pessoas; um sólido
sentido de pertença, fundamento da futura comunhão
com
o presbitério e de uma responsável colaboração com o ministério do bispo; a
liberdade para entusiasmar se por grandes ideais e a coerência no realizá-los
na ação de cada dia; a coragem de tomar decisões e de permanecer-lhes fiel; o
conhecimento de si, das próprias qualidades
e
limites, integrando-os em uma visão positiva de si diante de Deus; a capacidade
de corrigir-se; o gosto pela beleza entendida como ‘esplendor da verdade’ e a
arte de reconhecê-la; a confiança que nasce da estima pelo outro e que leva à
acolhida; a capacidade do candidato de integrar, segundo a visão cristã, a
própria sexualidade, também em consideração à obrigação do celibato”.
8.
Para o bem do próprio candidato, para as instituições vocacionais e para a
Igreja, na fase do primeiro discernimento deve-se prestar atenção aos
obstáculos à autêntica vocação ao presbiterado: “a excessiva dependência
afetiva; a agressividade desproporcionada; a insuficiente capacidade de ser fiel
aos empenhos assumidos e de estabelecer relacionamentos
serenos
de abertura, confiança e colaboração fraterna e com a autoridade; a identidade
sexual confusa ou não ainda definida”.
9.
Cada vocacionado tem sua especificidade, que deve ser respeitada. É preciso que
as dioceses dêem atenção particular e procurem meios para valorizar e integrar
adequadamente
os
vocacionados provindos:
10.
Congregação para a Educação Católica, Orientações
para o uso das competências psicológicas na admissão e na formação dos
candidatos ao sacerdócio.
